Amor à primeira vista. Acontece frequentemente em filmes, daqueles românticos, com um casal apaixonado mas apartado, que se junta no fim, depois de ultrapassar uma imensidão de obstáculos que enervam o expectador; daqueles filmes com músicas que aquecem o coração; que nos fazem sonhar ainda de olhos abertos; que nos fazem suspirar; que nos arrastam para lugares e fantasias apenas reais no nosso pensamento.
Ridículo, isto não acontece, pensamos nós no fim do filme, ainda que, bem lá no fundo, desejemos, com tudo o que temos, que um dia seremos nós o protagonista de tão belo romance.
Admito que sou uma dessas pessoas - que menospreza esses filmes mas que os devora com a mesma intensidade; que suspira não sei se de raiva se de ânsia por um amor daqueles, tão puro, tão perfeito ainda que com imperfeições.
Só falta o amor, pois namorado perfeito já todas temos. Hipotético vá, com os traços físicos e psicológicos já cuidadosamente pensados e aperfeiçoados, aglomerados num autêntico modelo pronto a ser aplicado e criado numa fábrica, tal é a profundidade dos pormenores.
Talvez a fábrica seja dispensada. O mundo é enorme; há-de haver o tal que nós imaginámos, certo?
Até que...
Ele aparece, inesperado, lindo, perfeito, mas... A sério? É ele? Mas é tão diferente. E é, em algumas coisas, mas aquece-nos o coração, força-nos um sorriso nos lábios, transporta-nos para um mundo que até aquele momento só existira num sonho bonito, e um suspiro solta-se, mas desta vez não estamos a ver um filme.
Desta vez...